Fonte: Fotogramas

Hollywood a vê como a substituta natural de Kate Winslet. Os rumores de que substituirá Scarlett Johansson no universo cinematográfico da Marvel.

A tão esperada estréia de Black Widow nos dá a oportunidade de falar com uma atriz, tão versátil e natural que pode marcar uma nova geração de estrelas e espectadores.

Tenho certeza de que existe uma palavra alemã para esse sentimento: a emoção contraditória que se sente quando tudo está indo bem enquanto as outras pessoas, é, digamos, regular. Um termo tão preciso e teutônico quanto Schadenfreude – aquela alegria indescritível que se experimenta ao ver o sofrimento alheio, mas de melhores vibrações e até com uma ponta de prazer culpado. Uma palavra que define o que deve ter passado pela cabeça de Florence Pugh (Oxford, Inglaterra, 1996) neste último ano e meio. Depois de estrelar três obras completamente distintas, como Fighting in the Family (S. Merchant, 2019), Midsommar (A. Aster, 2019) e Little Women (G. Gerwig, 2019), nas quais nos deu a versão teimosa de Amy March e alcançou sua primeira indicação ao Oscar, a mais recente jovem promissora a emergir da prodigiosa pedreira britânica estava longe de ser proclamada – como seus amados Leonardo DiCaprio e Kate Winslet em Titanic – a rainha do mundo. Mas então, o iceberg COVID-19 chega e tudo para… até a alegria por um trabalho bem feito. Como processar o sucesso individual quando o coletivo enfrenta uma crise universal? “O mais ridículo é que o que você disse aconteceu comigo em apenas alguns meses”, diz Pugh com sua voz inconfundível para a FOTOGRAMAS. “Os dois meses mais loucos da minha vida. Os BAFTAs, o Oscar, toda a minha carreira parecia implodir em um crescente contínuo e incrível. E então tudo parou, então não tenho a sensação de ter perdido nada”, diz ela, refutando aquela ideia de sucesso perdido e frustrando nossas aspirações etimológicas. Pelo contrário, continua. “Me parece que tenho muita sorte de poder experimentar tudo desta forma. Foi como se os últimos cinco anos terminassem em fevereiro de 2020. Como se depois de todos esses anos de muito trabalho eu tivesse alcançado uma espécie de meta final… que às vezes eu sentia que era assim, O Fim, assim como é”, risos. “Tive tempo para refletir e aceitar tudo o que me aconteceu, para apreciar. Porque eu realmente trabalhei muito”, de cabeça baixa, puxando para frente sem parar.. “e então chegou um momento para respirar e ver tudo o que fiz”.

COISAS QUE (TALVEZ) EU NUNCA TE DISSE

O que ela fez nós vimos, mas, sobretudo, o que ela fez e ainda temos que ver. Como seu trabalho em Black Widow, um filme que finalmente chega às telas dois anos e quatro dias após a estreia em nosso outdoor da última produção da Marvel, Homem-Aranha: Longe de casa (J. Watts, 2019). Pugh se junta a Scarlett Johansson, Rachel Weisz e David Harbor no elenco para contar, sob a direção de Cate Shortland e um roteiro com Jae Schaeffer (Scarlet Witch and Vision), a história não contada de Natasha Romanoff. O 24° filme produzido por Kevin Feige por ser o responsável por La Casa de las Ideas, e que, se a pandemia não tivesse interrompido o plano inicialmente planejado, teria começado a Fase 4 do UCM. Sigilo marca da casa, você não pode nos contar nada, apontamos para a atriz. “Sim, eu posso!”,protesta. “Eu posso responder algo sobre, o que você quer saber? Vá em frente”, Aproveitamos para perguntar para confirmar algo que você disse ao nosso colega Fausto Fernández quando ele visitou as filmagens do filme: que sua personagem, Yelena Belova, assumiria o papel de Johansson e seria a nova Viúva Negra.. “Eu disse isso?” risos. “Não pode ser! Eu não acho. Nossa, isso seria muito bobo da minha parte, não seria?” ela solta uma gargalhada. “Todos, e quando digo todos, quero dizer todos, minha família, meus amigos, eles me perguntam isso… Eu entendo que as pessoas estão desesperadas por sucesso para saber o que acontece, para onde vai o enredo.., mas este filme é Scarlett, é a história de Natasha. Do início ao momento final. E isso era algo que precisava ser contado por muito tempo, muito antes de Yelena aparecer no palco.”

A INTERPRETAÇÃO COMO TERAPIA E ABRIGO

Uma personagem que Pugh admite ter gostado por ser uma garota legal. “Ela é teimosa, enérgica, não faz rodeios e não tem um pingo de vaidade. Ela é espirituosa, arrogante e se diverte brincando com Natasha, o que é ótimo porque é mais ou menos esse o relacionamento que eu e Scarlett temos. Mas acho que ela também está machucada por essa dor e acho que é isso que une suas jornadas.
Tem algo em todos os personagens que eu interpreto. É algo que eu encontro mais do que apenas a atuação. Por exemplo, quando eu fiz Midsommar, em cada cena emotiva de Dani, ali estava eu, pelo menos uma parte de mim. Não é algo que eu posso fingir, ou pelo menos eu, não consigo fingir. Portanto, sentir esse nível de dor tem seu preço, mas eu tenho camadas e estou feliz por ter conseguido superar emocionalmente.”

TORNE-SE GRANDE NO CINEMA

Filha de um empresário de restaurantes e uma professora de dança, Pugh é a terceira de quatro irmãos, todos ligados ao mundo da atuação. Os anciãos, Toby Sebastian, Trystane Martell em Game of Thrones e Arabella, a única que estudou, lideraram o caminho. A garotinha, Rafaela, também segue na esteira. “Somos como os Von Trapp, mas muito menos perfeitos”, ela conta sobre sua família que, quando tinha três anos e para tratá-la de uma doença pulmonar, mudou-se para Sotogrande em busca de um clima menos úmido. “Morei na Espanha até os seis anos e embora tenhamos visto muito até os 10 ou 11 anos, meu espanhol é ruim, senão inexistente. Eu estava indo para uma escola de inglês e não precisava falar no meu dia a dia, assim perdi esse oportunidade.”
Depois da Espanha que veio seus próximos passos, pelo YouTube, criou seu canal Flossie Rose, um canal de covers, e com 16 anos conseguiu seu papel em ‘The Falling’ “onde aprendi”, se lembra, “que a primeira coisa que você tem que fazer ao entrar em um set é sair da penteadeira no camarim, meus colegas de escola – o exclusivo St. Edward’s de Oxford, cujos alunos incluem Laurence Olivier ou Emilia Clarke – eles me disseram que não ia funcionar.”

CRIATURA CELESTIAL

“Quero continuar interpretando personagens como as que fiz até agora, interessantes, estranhas… E quero continuar trabalhando com pessoas como as com quem tive a sorte de trabalhar até agora, pessoas interessantes e estranhas”, rimos no que se espera de uma carreira, que, desde que fez seu primeiro casting, muitos compararam com a de Kate Winslet, outra de suas referências. “Adoro ser comparada a ela”, explicou ela à FOTOGRAMAS em 2017, em sua primeira visita às nossas páginas, sobre a protagonista de seu filme favorito, Titanic. “É que eu sabia de cor e fazia a encenação para minha família em casa.
Não vejo meu trabalho como algo linear. São tantas as formas de se fazer ouvir, de deixar fluir a criatividade.. Em 10 anos espero ter explorado todos os cantos e possibilidades desta profissão, afirma. O que está claro para mim, continua, é que sempre que vou ao karaokê irei cantar My Heart Will Go On. Meu amor por Leo e Kate é infinito, ela conclui com uma nova risada.”