Fonte: Vogue

Florence Pugh é a capa da edição de fevereiro da revista Vogue!! Flo compartilhou sua felicidade através de uma foto postada em seu Instagram com a seguinte legenda:

Quando eu era pequena, eu pensava que as mulheres das revistas eram tão maduras quanto pareciam. Eu me jogava na minha mãe e parecia que eu tinha vencido quando eu encontrava uma amostra gratis de perfume dentro da revista, cremes faciais noturnos ou vouchers para um feriado bem distante.
@voguemagazine era a mais pesada, a maior e a de gente mais adulta. Eu folheava pelas páginas enquanto eu estava em qualquer sala de espera que tinha a revista. As cores, as roupas, as poses, tudo eram coisas que eu ficava encarando e inspecionava tudo super impressionada.
Eu estou completamente chocada em dizer que eu sou a garota da capa da edição de Fevereiro. QUE FRASE PARA SE DIZER!!! Obrigada a todos na @voguemagazine que tiveram um papel nisto.
Agradecimento especial para esses maravilhosos abaixo que me deram um dia incrível de super diversão, que eu tenho certeza que vocês podem ver pelas fotos!
Fotógrafo – @studio_jackson
Editor de Moda – @jordenbickham
Maquiagem – @susiesobol_makeup
Cabelo – @estherlangham

E finalmente, mas não menos importante, o homem principal @sergiokletnoy. #vogue

Além disto, confira a matéria publicada no site da revista e as fotos em nossa galeria clicando nas miniaturas ao final da tradução:

No último abril, a atriz britânica, estava visitando Nova Iorque com suas irmãs quando ela passou em frente a uma loja de tatuagem. Ela não sabia o que queria. Então ela soube.

“Certo, eu quero uma abelha,” ela disse.

“Que tipo de abelha?”, perguntou o tatuador.

“Eu quero com uma vista aérea. Bem matemática. Não parecida com a vida real,” ela respondeu.

O tatuador sorriu. “Para alguém que não sabia o que queria,” ele disse, “você sabia exatamente.”

“Sim,” disse Florence, mais surpresa do que qualquer pessoa. “Isso é estranho.”

Ela me conta essa história em uma tarde em Londres, olhando para a pequena linha desenhada em seu pulso e franzindo um pouco a testa, confusa, por impulso. O conto de sua primeira e única tatuagem parece contar exatamente a forma que Florence opera. Ari Astar, que a dirigiu no filme apavorante do último verão, ‘Midsommar’, sugere que ela é “alguém que realmente precisa confiar em seus próprios instintos,” e que é importante que as outras pessoas confiem nisto também “porque seus instintos são extremamente confiáveis.” Isto dá a ela uma mistura sedutora de confiança e modéstia, de comprometimento sem uma ambição impetuosa.

O símbolo que ela incorporou ao seu corpo é, acabou sendo, uma abelha trabalhadora.

“Eu sei,” ela diz quando eu sugiro que isto é adequado, “e eu não tinha nem ideia.”

Com apenas 24 anos, Florence tem trabalhado como atriz pelos últimos sete anos, evitando rotas previsíveis para a fama e escolhendo papéis intrigantes sem ostentações. Em 2018, ela estrelou na adaptação para televisão de Park Chan-wook de ‘The Little Drummer Girl’ de John Le Carré – uma performance que ela realizou tão completamente que inspirou o próprio Carré a colocar um personagem chamado Florence em seu romance mais recente. No ano passado, ela estrelou em uma comédia de luta, ‘Fighting With My Family’, feito por Stephen Merchant, cocriador de ‘The Office’; em ‘Midsommar’ e, mais notavelmente, na adaptação de ‘Adoráveis Mulheres’ de Greta Gerwig. Este ano ela irá interpretar Yelena, a ajudante atlética de Scarlett Johansson, no filme da Marvel, ‘Viúva Negra’. Tudo isso fez de Florence, meteoricamente de alguma forma, uma artista de Hollywood de amplo alcance, com um poder não convencional – e uma pessoa que aparenta saber exatamente o que quer.

Quando nos conhecemos, Florence tinha acabado de chegar a Londres do Marrocos, após passar meses lutando com Scarlett no set. Nós estamos em um restaurante do Oriente Médio em uma esquina quieta do Borough Market, que é movimentada por açougues, padeiros e fabricantes de alcaçuz, com fornecedores de trufas e guardiões de queijo de alta classe. A avó materna de Florence, a indomável matriarcar Vovó Pat, costumava trazê-la aqui de Oxford quando Florence era criança, e elas costumavam experimentar a comida antes de ir ao cinema.

Hoje ela senta do lado contrário de mim usando uma blusa preta vintage com dois escorpiões aplicados, e mistura vodka com refrigerante durante o almoço. Ao lado dela, está uma jaqueta preta que ela comprou em uma loja de caridade quando ela tinha oito anos de idade e usa desde então. A voz dela é tanto mundana quanto alegre, com uma rouquidão que ela atribui a doenças de infância – ela me conta mais tarde.

“Eu não sabia exatamente o que seria envolvido em um desses filmes,” ela disse da franquia da Marvel. “Obviamente, você precisa ser capaz fisicamente, porque este é o ponto central,” ela acrescenta com ironia, “é por isso que você é um super herói.” Mas o resto, foi dito a ela, que dependia dela. Florence foi direto para o armazém onde o pessoal da acrobacia estava. “Aprender com eles foi a minha parte favorita,” ela disse. Embora ela tivesse dois dublês, ela queria saber fazer tudo – e como diretora de ‘Viúva Negra’, a cineasta australiana Cate Shortland, conta que Florence fez a maioria das acrobacias: “Ela é assustadora pra caramba. Ela é feita de aço. Ela com certeza não vai desistir. Ela tem uma quantidade saudácel de raiva para uma pessoa, com as injustiças que ela ver à volta dela.”

Mais do que tudo, foi o “bom soco” do filme que surpreendeu Florence. Com Shortland – aparentemente selecionou entre 70 candidatos à direção – no comando e influenciada em grande parte pela própria Scarlett, ‘Viúva Negra’ é apenas o segundo filme do universo da Marvel (após ‘Capitã Marvel’ com Brie Larson) a focar em mulheres. Ademais, detalhes do filme não podem ser relevados até o filme ser lançado em maio, Florence diz que a história “lida com algumas coisas bem difíceis. É cru, doloroso, emotivo e engraçado e não é de forma alguma… Feminino. É sobre mulheres quebradas recolhendo seus pedaços.” Shortland acrescenta que ela, juntamente com Florence, Scarlett e Rachel Weisz, que também estrela no filme – “queriam fazer algo íntimo dentro do universo da Marvel. Nós criamos relacionamentos femininos com carne e sangue. Elas não precisavam interpretar de leve.”

Florence entrou para a indústria por uma ponta bem particular: uma época em que as mulheres podem dar ordens (pelo menos algumas). Seu primeiro papel foi em ‘The Falling’, uma meditação hipnótica em histeria, que se passa em uma escola só para garotas e dirigida por Carol Morley. Seus dois projetos mais recentes – ‘Adoráveis Mulheres’ e ‘Viúva Negra’ – também foram dirigidos por mulheres. Ela tem estado em uma posição para tomar como certa essa força feminina e para seguir em frente sem medo.

Se o biotipo da ingenuidade ensinua algo de uma jovem, mulheres impressionáveis cujas ascenções dependem de papéis em favor de seus superiores (em sua maioria homens), Florence talvez ofereça uma alternativa, um novo tipo de estrela em ascenção que está emergindo em uma época em que diferentes dinâmicas de poderes são possíveis. Olhando para a carreira dela até então, um otimista talvez pense que o antigo modelo talvez tenha uma influência menor. Florence lembra de ler sobre a Jennifer Lawrence receber menos do que seus colegas homens e pensar, “Oi? Não é possível que existe isto.” Mas ela sabe que isto que está acontecendo agora é o resultado de uma conversa mais longa. Conforme ela coloca: “Eles na verdade estão criando motivos para as mulheres falarem nos filmes agora. Quando uma mulher fala, ela vai ter algo para dizer.”

Florence cresceu em uma família de hospedeiros: seu pai possui restaurantes em Oxford; seu avô trabalhou em mercados de frutas e tinha um pub. “Nós éramos uma família que vivia comendo,” Florence diz com uma risada rouca. Sua mãe ensinava dança e Florence se identifica com tudo isso – a boa comida e a companhia exuberante – para se apresentar. “É tudo grande, amoroso e parece um lar,” ela explica. Até hoje, ela acha que fazer comida para alguém é “uma das formas mais simples e mais maravilhosas de se ter um encontro.” Quando nós passeamos, após o almoço, em uma barraca de queijo no mercado, Florence pergunta para a vendedora perguntas tão específicas que ela instantâneamente recebe uma proposta de emprego.

“Eu sempre fui uma pessoa muito barulhenta,” Florence diz. “Tipo, quando eu era mais nova, eu sempre vestia as coisas mais brilhantes. Eu amava pintar meu rosto. E porque eu era tão boa com isso, eu acho que meus pais não se ofendiam.” Quando adolescente, Florence frequentemente trabalhava como babá para uma turma visitante de domingo. Com uma tropa pequena aos seus pés, ela fazia fantasias, servia chá em xícaras de brinquedo e inventava uma peça que inevitavelmente incluía uma protagonista para si mesma. “Eu ficava tipo: ‘Não, esse é o meu papel. Eu vou interpretar a mulher em luto que perdeu o marido.’”

Mas antes disso, entre 3 e 6 anos, ela morou na Espanha com seus pais e irmãos, Arabella e Sebastian, que são 10 e 04 anos mais velho que ela, respectivamente. (Uma irmã mais nova, Rafaela, nasceu quando Florence tinha sete anos.) A mudança de Oxford para a Espanha foi para ajudar com os problemas de saúde de Florence: ela sofria com o que mais tarde foi diagnosticado como traqueomalácia – que é quando parte da sua traquéia entra em falência depois que ela respira – e quando bebê ela passou grande parte do tempo em hospitais. Agora ela tem apenas, como ela diz, “uma tosse bem assustadora,” e qualquer pessoa que a viu chorar em ‘Midsommar’ irá reconhecer a pontuação assustadoramente gutural em sua performance de luto.

Isso também a deixou com uma incomum voz para cantar madura. Quando Florence era adolescente, sua mãe começou a postar vídeos caseiros dela cantando no YouTube – sem perceber completamente, até ela perceber que qualquer pessoa poderia assisti-los. Você ainda consegue encontrar “Flossie Rose” usando um delineador forte, sentada de pernas cruzadas na cama, cantando covers do Oasis e acompanhando com o violão. Até então, ela cantou em algum de seus filmes e música é algo que ela gostaria de se aprofundar.

Cantar e performar virou o negócio da família. Sebastian, que usa o nome artístico de Toby Sebastian, lançou um EP em 2019 e sua carreira de atuação inclui interpretar Trystane Martell na quinta temporada de ‘Game Of Thrones’. Arabella (agora Gibbins) é atriz, cantora e professora de canto. Rafaela, que tem 16 anos e ainda está na escola, também atua. Os irmãos, com quem Florence passou a maior parte do tempo possível, tiveram uma função muito importante de manter uns aos outros sãos. Por exemplo, Florence me diz sobre ir assistir ‘Midsommar’ com sua família. ‘Midsommar’ é parcialmente um filme sobre perder sua família e tentar recriá-la em outro lugar – com resultados desastrosos.

Em uma das cenas de início, os pais e a irmã da personagem de Florence morrem inalando gás – o que não é exatamente divertido para toda a família, mas sua irmã de 16 anos de idade confessou estar desapontada.

“Eu não sei porque eles falam que esse filme é assustador,” Rafaela disse. “Não é nem tão assustador.”

“Hum, certo,” disse Florence. “Mais alguma coisa?”

Seis meses após nosso almoço em Londres, Florence e eu nos reencontramos em Los Angeles. Ela me pede para encontrá-la no local que ela acredita ser “o único lugar estranho e encaracolado” da cidade. Laurel Canyon foi – uma placa relembra seus visitantes – onde “o espírito de 1960 comunal e psicodélico uniu-se.” Perto da casa antiga de Jim Morrison, na ampla varanda de madeira da Canyon Country Store, com 100 anos de idade, Florence se senta no sol vestindo calças de cetim preto, sandálias, camiseta preta e com o cabelo preso com um cachecol de seda. Ela fez sete amigos em poucos minutos.

Florence nem sempre teve lembranças boas da cidade. Ela veio pela primeira vez à Los Angeles em 2015 para o papel principal em um episódio piloto chamado ‘Studio City’. Ostensivamente, era um sonho. Ela nunca esteve nos EUA; ela tinha 19 anos. Mas foi “horrível”, ela relembra, com seu peso e um tópico aberto da conversa. “Eu tive meio que uma crise,” ela disse agora. “Quando não foi para frente, foi quando eu percebi o quão aliviada eu estava.”

Logo em seguida, ela foi escolhida para ‘Lady Macbeth’, um filme indie sombrio do século 19 (baseado no romance de Nikolai Leskov de 1865, ‘Lady Macbeth of the Mtsensk Districk – o livro, por sua vez, inspirado por Shakespeare), no qual ela interpreta a entediada, recém aprisionada esposa do filho de uma dona de mina. A personagem de Florence irrita a todos e depois, mais violentamente, resiste às restrições impostas à ela. Esse papel incomum e poderoso, Florence diz, deu a ela o discernimento do tipo de atriz que ela queria ser. “Eu gosto de me sentir bruta. Eu gosto de me sentir nua. Toda vez que uma oportunidade de eu ser perfeita nas telas aparece, eu entro em pânico.”

Foi a vendo em ‘Lady Macbeth’ que fez Cate Shortland, Greta Gerwig e Ari Aster, todos quererem escolhê-la em seus respectivos filmes. Ari esperou por meses até ela terminar de gravar ‘The Little Drummer Girl’ e poder mandar uma filmagem para ele. Dani, a personagem principal e muito bruta em ‘Midsommar’, não foi um papel tão difícil porque ela tinha que “carregar o filme inteiro,” palavras de Ari. Dani também foi “um papel perigoso de se fazer. Ela poderia se tornar desanimada ou ficar com pena de si mesma. Foi maravilhoso vê-la evitar todas as armadilhas, sem abandonar tudo que o personagem exigia.”

A experiência de filmar ‘Lady Macbeth’ também fez Florence prometer a si mesma que nunca voltaria a Los Angeles “até saber quem ela era”. Dois anos depois ela voltou, interpretando a musculosa lutadora com cabelos tingidos de preto, maquiagem gótica e um sotaque do norte em ‘Fighting With My Family’, um filme baseado na história real de uma lutadora britânica. Da perspectiva de Florence, como seu corpo estava naquele filme era irrelevante; a questão girava em torno de ser forte. “E isto,” ela diz agora, “é uma coisa maravilhosa de se notar em si mesma e com todo o trabalho que você está escolhendo fazer.”

Agora, sentada em cima das colinas de Hollywood, ela olha perfeitamente para casa. “Esse é um cantinho bem especial,” ela diz, sorrindo. Ela está ficando com amigos e está lá há semanas para promover ‘Adoráveis Mulheres’. Florence foi atingida pelo “derramamento de amor” por ‘Adoráveis Mulheres’ – “porque é o livro da infância das pessoas, especialmente nos EUA.” Apenas uma semana antes, Meryl Streep – que interpreta Tia March – deu uma festa privada de exibição em uma casa no Mount Olympus Drive. (“Quer dizer, os nomes,” disse Florence.) Mais do que tudo, as pessoas parecem apreciar o fato de Florence ter feito a Amy (como ela mesma diz) “não apenas uma bebê chorona.”

A Amy de Florence é deliciosamente sem desculpas por seus desejos e na versão de Greta, seu interesse próprio se torna meio que uma sensibilidade. (Uma crítica prévia notou que a performance espirituosa de Amy deu “à esta personagem uma chance de lutar para ganhar a nossa simpatia.”) Florence nunca desgostou da Amy quando ela leu o livro. “Eu amo todos os personagens incrivelmente mimados,” ela me diz, “porque eles sempre representam aquela voz nas nossas cabeças. Amy basicamente diz tudo que ela quer dizer. Ela não se importa.” Florence sorri. “Então eu obviomente estava em êxtase por interpretá-la.”

O filme de Greta injeta material original ao roteiro, notavelmente um discurso feito por Amy em seu estúdio de pintura parisiense – uma adição de último minuto que Greta entregou à Florence 10 minutos antes de começarem a filmar. Encarando a câmera, a garota que aspirava ser “um ornamento para a sociedade” explica sua aparente estretégia não feministamente feminista. “Eu sou apenas uma mulher,” ela começa, “e como mulher, eu não tenho como ganhar meu próprio dinheiro.” Suas ambição são venais, em outras palavras; sua época as fez necessárias. “Não sente aí,” ela conclui, “e me diga que casamento não é uma proposição econômica.”

Greta me disse que ela pensou muito sobre a Amy recentemente. Amy, ela fala que ela “quer o que quer e ela vai descobrir como conseguir. Essa é a irmã que nós não gostamos. Exceto que agora parece haver um pouco de mudança: nós não odiamos mais essa garota. Talvez nós vemos que ela quer algo. Nós estamos mais confotáveis com garotas ambiciosas, talvez, o que me deixa um pouco esperançosa”, conclui Greta.