Fonte: Den Of Geek

Florence Pugh está tendo um enorme 2019 com lançamentos que incluem ‘Fighting With My Family’, ‘Little Women’ e novas produções tão gigantescas quando ‘Viúva Negra’, da Marvel. Mas mesmo no meio da promoção massiva da história da super heroína, o poder de um outro lançamento de 2019 pode ser sentido. Os servos de ‘Midsommar’ é quase sobrenatural na Comic-Con, de todos os lugares, uma mão cheia de ‘Rainhas de Maio’ sentam na plateia aplaudindo.

“Todo mundo gosta de uma mulher levemente louca matando seu namorado em um templo, certo?” Florence ri.

Para um filme que foi lançado há apenas alguns meses, ‘Midsommar’, de Ari Aster e A24, tomou uma marcante vida própria. Há quem diga que há um culto se formando em volta da heroína Dani Ardor e da ‘Rainha de Maio’ que ela se transforma. Interpretada pela promissora Florence Pugh, Dani é tipo uma mistura de sentimentos bravos que, seis meses após uma tragédia, nunca se permitiu a se curar. O que talvez seja o motivo de tantas pessoas se identificarem com ela nos momentos finais do filme, quando ela reinvindica sua coroa de flores. Uma mulher enlutada e traída que tem uma decisão difícil para tomar.

Diante da escolha de deixar um estranho ou seu namorado Christian (Jack Reynor) ser queimado vivo, enquanto costurado em pele de urso, ela escolhe o segundo. Para ser justo, as duas metades do casal foi drogada com tantos psicodélicos que é plausível especular que nenhum deles esteja completamente consciente dos procedimentos. É um ponto que Florence faz quando nós tivemos a chance de falar com ela sobre ‘Midsommar’ no início desta semana.

O quão ciente você está sobre a crescente popularidade da ‘Rainha de Maio’?
Todos se curvem à Rainha de Maio! Sim, por favor! Eu não sabia… Bom, o fato de você ter me perguntado sobre isso deve significar que certamente está crescendo, mas, quer dizer, que ícone incrível para ter de inspiração. Quer dizer, ela tem vestidos bem fantásticos!

Ela parece está se tornando uma heroína folk para términos ruins.
Possivelmente, sim. (Risos) Eu acho que isto é muito empolgante. Eu acho que todo mundo gosta de uma mulher levemente louca matando seu namorado em um templo, certo? É um jeito estranho de terminar um filme e isto certamente cativou a atenção de todos. É muito legal. Eu acho que ela, Dani, merece toda a atenção. Ela têm sofrido por muito tempo. Então é excitante que as pessoas gostam do que vêem.

‘Midsommar’ é um filme sobre muitas coisas além de ser culto e ensolarado. Quais foram suas conversas iniciais com Ari sobre quem é a Dani e o que esta viagem significa para ela?
Então, nós nos mudamos para Budapeste umas duas semanas antes das gravações começarem e na maioria do tempo foi, obviamente, todos nós nos conhecendo e criando estas amizades e química entre nós. Então o resto do tempo foi nós tentando entender quem nós éramos. O tempo de ensaio é principalmente para os diretores entenderem quem são essas pessoas também.

Deve ser tão assustador ter escrito o roteiro e de repente todo mundo chegar para gravar o filme e você não conheceu todo mundo ainda. Estas são as pessoas que você escreveu. Então foi principalmente isto. Jack e eu passamos muito tempo juntos fazendo coisas tipo sessões de terapia em que o Ari era o terapeuta e nos perguntava como nós nos sentíamos em certas situações ou o quê nos fazia sentir. Então, quando nós fomos filmar, eu senti que todos nós já tínhamos um bom julgamento sobre quem nós éramos e o por quê de estarmos lá.

Em termos de viagem, eu não acho que esta seja uma viagem que ela queira ir. Eu acho que ela tem que ir, porque ela não tem ninguém. É quase como se ela tivesse que ir para se sentir normal e sentir como se ela estivesse com alguém e se sentir parte de algo. Eu não acho que nenhum deles realmente sabia no que estavam se metendo. Talvez Josh (interpretado por William Jackson Harper) sabia um pouco, mas eu acho que com ela, ela está apenas seguindo o namorado dela. O fato de que ela vai e que é recebida por uma comunidade tão amorosa que apenas quer ela para endereçar o que ela está sentindo e ser feliz é um grande passo na direção certa para ela.

Para este grande passo, como você entra na cabeça da Dani no fim quando ela está encarando o Christian em uma roupa de urso e ela precisa tomar uma decisão?
Bom, não foi necessariamente sobre entrar em uma cabeça. Eu acho que a coisa que sempre foi entendida, provisória e assustadora é que naquele ponto do filme, ela não está realmente ali; ela já teve sua quebra psicótica. E eu acho que este é o ponto do filme, para mim e para todos, para o Ari, foi o momento que nós não sabíamos se ela iria aparecer ou não. Se ela iria retornar.

Então quando ela essencialmente escolhe o Christian na roupa de urso (para queimar), a forma com que eu estava interpretando e a forma que eu coloquei na minha cabeça foi que parecia como se por um breve segundo ela sabia para quem ela estava olhando, ela sabia que ele tinha causado dor para ela, mas no fim, eu acho que ela se foi. Então aquela decisão toda, a forma que eu li originalmente no roteiro foi que ela não sabia exatamente o que ela estava fazendo.

Em termos de entendê-la naquela última cena, eu realmente queria que ela fosse o mais infantil e criança possível. Então quando ela está olhando para o templo sendo queimado, eu queria que ela quase se sentisse tão empolgada quanto se estivesse olhando para uma noite de fogueira e olhando para fogos de artifício no céu e realmente afastar qualquer forma adulta de ver o mundo. Ela está vendo apenas algo que brilha e está empolgada. Então foi meio daí que eu estava tirando e eu não queria que ela ficasse desconfortável quando nós acabássemos de filmá-la no fim. Eu queria que ela estivesse nova e empolgada e completamente inconsciente do que estava assistindo, o que eu espero ter conseguido transmitir.

Você ouviu diferentes opiniões nos últimos meses sobre o que aconteceu com Christian no fim?
É claro que sim. Este filme pega energia, velocidade e excitação. Tira tudo isto e nós estamos dando para alguém permissão para morrer. Nestas circunstâncias, de ele ser escolhido, não, eu não acho que ele mereça morrer. Sim, porque é um filme e sim, porque nós ficamos empolgados, e sim porque faz ela ser esta mulher que é no fim, obviamente, todo mundo está a favor disto. Mas, no fim, eu não acho que ninguém mereça morrer por ter traído outra pessoa. Sim, esta foi uma decisão muito ruim da parte dele. Mas ele não merece ser queimado em uma roupa de urso em um templo até a morte. Mas no fim nós estamos fazendo um filme do Ari Aster, então isto começa uma conversa. (Risos)

Eu acho que se tivesse qualquer pessoa normal naquela situação, a pessoa não escolheria que o namorado morresse. Eu não acho que ela estava consciente durante esta decisão, eu acho que ela estava olhando para um rosto familiar. Foi como eu interpretei, de qualquer forma.

Mas sim, muitas pessoas me falaram que possuem teorias e que acham que ela fazia parte daquilo tudo o tempo todo e que ela, na verdade, levou o namorado lá para morrer. Isso, em si, é excitante, o fato que as pessoas estão querendo pensar sobre isto que elas estejam querendo mudá-la e querendo ter suas próprias teorias. Fazer um filme que inspire criatividade desta forma é muito legal. Então eu amo os finais alternativos de todo mundo. Um dia desses eu estava pensando o quão legal seria se nós fizéssemos uma versão que ela fizesse parte disto? Ela acabaria o filme com uma simples risada (um canto de culto), porque eu acho que este seria um fim interessante também. Mas eu não sei. Não, ele não merece morrer. (Risos)

Você obviamente está tendo um grande ano entre isto, ‘Fighting With My Family’ e ‘Little Women’. Como você distingue cada experiência em sua cabeça para manter algo singular em cada um dos filmes?
Ah, eu não preciso tentar muito. Cada filme que você faz são dois meses da sua vida que você dedica seu sono, o tempo do seu dia. Eu não consigo confundi-los de forma alguma. Eu sou uma personagem diferente em cada trabalho e eu visto roupas diferentes em cada trabalho e eu incorporo pessoas completamente diferentes. Você está certo, eu tenho ido de formas consecutivas por um longo tempo, mas isso não significa que eu apago as memórias.

Eu acho que cada personagem que eu interpreto realmente significa algo para mim, e eu quero interpretá-la por dois meses e eu tenho que querer ser ela e lutar as batalhas delas e discutir por ela e pensar como ela pensaria. Não há nenhuma lembrança que se sobreponha à outra porque todas elas são tão diferentes e únicas e estranhas. Então eu não tenho problema nenhum neste aspecto. Especialmente não quando eu estou fazendo algo como ‘Midsommar’.